16:44 Quarta 08 Set
Energia de sobra

Fonte: Revista Gol – Linhas aéreas inteligentes 01/11/2009

Aos 35 anos, o mineiro Bernardo Fernandes é CEO da GLOBALBEV, a empresa que distribui o energético Flying Horse, o isotônico Marathon e as batatinhas Pringles para todo o Brasil.

“Se eu não visse TV, nem saberia da crise.” Que no Brasil a crise econômica teve intensidade e duração bem menor do que no resto do mundo, todos sabem. Mas a frase acima ainda mais natural quando vem da boca de CEO de uma empresa cujo faturamento saltou de R$ 50 milhões em 2008 para previstos R$ 110 milhões em 2009. O Empresário em questão é Bernardo Fernandes, da Globalbev. Sua Companhia é responsável pela importação e distribuição de marcas como o energético Flying Horse, a batata frita Pringles, e a vodka Stolichnaya, a marca russa do destilado mais vendido em todo o mundo. No caso de produtos nacionais, como o isotônico Marathon, a Globalbev também gerencia a produção.

“Não quero trabalhar com alimento, com arroz e feijão. O que agrega valor é o que dá prazer e bem-estar”, afirma o empresário. “Isso [aponta para uma lata de Pringles] não é só alimento, é prazer. Você não compra só pra matar a fome. Compra pra comer com o amigo, com a namorada, pra ver o jogo de futebol...” conclui. Por isso mesmo, Fernandes comemora o crescimento da classe média brasileira. “Hoje em dia você vê até frentista bebendo energético.” O reflexo dessa nova realidade nacional e de mercado pode ser vistos em mais números positivos. Segundo a Abir (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas não Alcoólicas), ano passado a produção de energéticos aumentou em 20% em relação a 2007. Por essa e outras a empresa também não para de crescer. Para o ano que vem, a previsão é de novo salto da Globalbev, chegando a cerca de R$ 180 milhões de faturamento.

Instalado em um escritório bacana na avenida Faria Lima, em São Paulo, Fernandes relembra o começo de sua vida de empreendedor. “Logo aos 18 anos tive meu primeiro negócio, uma franquia dos correios, que vendi para meu irmão.” Depois, com outros sócios, trouxe para o Brasil uma tecnologia italiana que facilitava a produção de sorvetes de máquina, aqueles comuns em fast-foods. “Era um negócio bom, mas eu sempre tive vontade de ir além, de ter uma empresa grande”, relembra o jovem executivo, hoje com 35 anos. “Quando a Red Bull chegou ao Brasil, em 1999, comecei a pensar com meus sócios que, pelo crescimento do mercado e pelo alto preço dos importados, haveria espaço para um energético produzido no Brasil. Foi aí que surgiu nossa empresa e seu primeiro produto, o energético On Line.” O ano era 2000, e nascia ali também, ainda pequena, a Globalbev.

Marca de Combate

Hoje o On Line praticamente não existe mais, mas os energéticos respondem por cerca de 50% do faturamento da companhia. Aí estamos falando da Flying Horse, que concorre na chamada fatia Premium, do Extra Power, a marca chamada “de combate”, cerca de 20% mais barata do que a principal. Fechado esse time, a Globalbev lança nas próximas semanas o Monster, energético que vem crescendo bastante fora do Brasil – e patrocina nomes como o campeão mundial de F-1 Jason Button e o motociclista Valentino Rossi, por exemplo – e já é a numero um em algumas regiões dos EUA.

Nessa toada de crescimento, ajudou bem a entrada do quarto sócio da empresa, o empresário João Paulo Diniz, que detinha os direitos de fabricação e distribuição da Flying Horse, que agora são da Globalbev. Pelo acordo, em troca Diniz agora detém 10% do capital societário da empresa. O novo parceiro está se movimentando ainda para trazer a linha de nutrição esportiva Gu, voltada pra atletas de alta performance. São estratégias que estruturam a Globalbev para, em breve, virar uma S/A e, num futuro próximo, abrir capital – “já estamos quase prontos”.

Esqui em Minas

Não deixar a peteca cair em uma empresa com centros de distribuição em Brasília, São Paulo, Minas Gerais e Recife, servindo 50 mil pontos de venda, não é fácil. Para manter a energia necessária – e a cabeça no lugar – para trabalhar bem 12 horas por dia, Bernardo não abre mão de uma alimentação saudável e da academia, aonde vai três vezes por semana. Também tem cultivado outro hobby, o do estudo dos vinhos. Mas nada supera o prazer que está sentindo em aguardar o nascimento de seu primeiro filho, que chega logo mais, em março ou em abril.

Hoje Bernardo vive entre São Paulo e Belo Horizonte. Mineiro, sua casa mesmo é em BH. È lá que está sua família, foi na capital mineira que sua empresa nasceu e é por lá que encontra os velhos amigos e relaxa, por exemplo, praticando esqui aquático na bela Lagoa dos Ingleses, que fica logo na saída para o Rio, ao lado de Alphaville. “É o mais perto que temos de praia em Minas”, brinca. Se não consegue esquiar, Fernandes se distrai lendo. Devora um ou dois livros por mês, em geral sobre gestão.

A vida de ponte aérea não chega a ser uma novidade pro rapaz. Morou em Londres e Bruxelas entre os 12 e 14 anos, com a família toda. Além da ponte aérea SP-BH, vai também direto para Moscou, conversar com o pessoal da Stolichnaya, e para os Estados Unidos, por conta da Pringles e do Monster. E também para a Alemanha, onde fica a sede da Flying Horse.

Essa correria toda se justifica quando lembramos que a principal tarefa do CEO é enfrentar duas marcas de respeito: a Red Bull e a Gatorade. “Por maior que seja a empresa, ela não vai conseguir agradar a 100% das pessoas. E é aí que nós entramos. Sendo uma alternativa de qualidade a essas marcas, mas com um preço menor”, explica.

Workaholic assumido, o empresário é do tipo que fica aflito se não está com o smartphone à mão e chega a relembrar, rindo, que quase marcou uma reunião para conhecer um empresário em Bangkok durante a sua lua de mel na Tailândia. “Minha mulher não deixou.” Bernardo gosta do que faz, se sente bem assim, e repete isso ao longo da entrevista. Veste a camisa de suas marcas a ponto de, durante a conversa com a Gol Linhas Aéreas Inteligentes, abrir mão do cafezinho para tomar no lugar uma latinha de Flying Horse, às dez da manhã. “É assim, todo dia, não bebo mais café no trabalho.”